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Jornal do Bairro Alto

La garantia soy yo!

Bem melhores do que a nossa legítima Far-West, brim coringa da Alpargatas, o primeiro jeans brasileiro de qualidade um pouco mais do que menos que tinha um defeito: não desbotava, como queriam os jovens rebeldes daqueles tempos. Vamos esquecer a Topeka e a US Top. Mas voltemos a Puerto Stroessner e às encomendas. Não podia faltar o tênis Chinesinho de sola  verde, o  perfume Gelato, em suas várias cores, desodorante Brut e o creme que fez sucesso entre as moças preocupadas com as rugas: o creme de Tartaruga. Dificil saber se  falsificados, direto das bancas dos camelôs, ou os originais da Monalisa. E que tal um uísque? Um Chivas, um Buchanan’s, um puro “hecho en Escocia” Cavalo Branco, que todos desconfiavam e ninguém garantia a originalidade. Coisas do Paraguai, como o autorádio Roadstar “de gaveta”, o tocafitas TKR cara preta, a TV portátil com rádio AM/FM Precision, que até funcionava por algum tempo. Mas chic mesmo era mandar trazer um telefone sem fio, preferencialmente um Panasonic daquele cinza claro. Para dar de presente, nada mais elegante e moderno que uma agenda eletrônica Cassio, que podia armazenar até 100 números de telefone. Sacoleiro que era sacoleira sempre trazia o  “legítimo” perfume Azzaro, venda garantida do lado de cá da fronteira. O sucesso entre as  crianças era o chicletes de bolinha em sua variedade de cores, e entre a  juventude, as batatas em lata Pringles. Nove em cada dez famílias brasileiras sonhava com um videocassete “quatro cabeças”, só mesmo do Paraguai, porque no Brasil custava o oho da cara. Hoje, Ciudad de Leste nem parece Puerto Stroessner, aliás, nem parece Ciudad de Leste. As lojas ou estão vazias ou estão fechadas e os camelôs sim, parecem os mesmos que ofereciam a latinha vermelha de pasta chinesa oferecendo  cartelas do azulzinho que levanta defunto. Claro, la garantia soy yo!

Rua Antonio Cândido Cavalin, 43 - Sala 01 - Bairro Alto - Curitiba - Paraná

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