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Jornal do Bairro Alto

La garantia soy yo!

Já foi chic, como James Dean, usar  uma legítima calça Lee que um amigo, um parente, um muambeiro trazia do Paraguai. Não de uma lojinha das ruas cinzentas e sujas de Ciudad de Leste, mas de uma lojinha das ruas cinzentas e sujas de  Puerto Presidente Stroessner. E depois uma Levi’s, uma Fiorucci.

Bem melhores do que a nossa legítima Far-West, brim coringa da Alpargatas, o primeiro jeans brasileiro de qualidade um pouco mais do que menos que tinha um defeito: não desbotava, como queriam os jovens rebeldes daqueles tempos. Vamos esquecer a Topeka e a US Top. Mas voltemos a Puerto Stroessner e às encomendas. Não podia faltar o tênis Chinesinho de sola  verde, o  perfume Gelato, em suas várias cores, desodorante Brut e o creme que fez sucesso entre as moças preocupadas com as rugas: o creme de Tartaruga. Dificil saber se  falsificados, direto das bancas dos camelôs, ou os originais da Monalisa. E que tal um uísque? Um Chivas, um Buchanan’s, um puro “hecho en Escocia” Cavalo Branco, que todos desconfiavam e ninguém garantia a originalidade. Coisas do Paraguai, como o autorádio Roadstar “de gaveta”, o tocafitas TKR cara preta, a TV portátil com rádio AM/FM Precision, que até funcionava por algum tempo. Mas chic mesmo era mandar trazer um telefone sem fio, preferencialmente um Panasonic daquele cinza claro. Para dar de presente, nada mais elegante e moderno que uma agenda eletrônica Cassio, que podia armazenar até 100 números de telefone. Sacoleiro que era sacoleira sempre trazia o  “legítimo” perfume Azzaro, venda garantida do lado de cá da fronteira. O sucesso entre as  crianças era o chicletes de bolinha em sua variedade de cores, e entre a  juventude, as batatas em lata Pringles. Nove em cada dez famílias brasileiras sonhava com um videocassete “quatro cabeças”, só mesmo do Paraguai, porque no Brasil custava o oho da cara. Hoje, Ciudad de Leste nem parece Puerto Stroessner, aliás, nem parece Ciudad de Leste. As lojas ou estão vazias ou estão fechadas e os camelôs sim, parecem os mesmos que ofereciam a latinha vermelha de pasta chinesa oferecendo  cartelas do azulzinho que levanta defunto. Claro, la garantia soy yo!

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