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Jornal do Bairro Alto

O coaxar do sapo cururu

Por mais que chova agora, não haverá mais noites de sono embalado pelo coaxar dos sapos cururu e martelo. Nenhum guri vai saber o que é matar a sede debruçado sobre um ôlho-d’água ou na folha de taiá encostada no bico.

E jamais vai se espojar nas águas mornas que alagavam os côncavos dos campos depois  de uma chuva de verão. Pode chover quanto quiser que você não vai ver criança brincando com barquinho de papel, represando a enxurradinha com pedras do macadame da rua e tampouco vai sentir o cheiro da terra molhada, o prazer do banho de bica, as emoções da guerra de carrapicho debaixo de chuva.

Deixe que chova, que fuzile, que troveje. Não tenho mais medo de raio nem de trovão e não preciso correr com a bacia, com o balde aparar as goteiras no meio da casa. É, meu jovem leitor, essas pequenas reminiscências que atiçam a gente quando a chuva demora podem significar muito pouco, ou nada pra você agora. Mas, cuida-te com as lembranças que  terá no futuro. Que você não precise descrever a seus netos como era aquele tempo em que havia água em abundância... que as pessoas podiam beber água  a hora que tivessem vontade... como era relaxante tomar um banho demorado... que  tinha até descarga do banheiro. Que você não tenha que contar a eles que os alimentos eram plantados na terra umedecida pela chuva, que existia leite de vacas criadas nos pastos verdes, que havia árvores e passarinhos que cantavam ao amanhecer.

E que você não tenha que dizer a eles, com nó na garganta, que lembra bem quando era moço e que todo mundo pedia para economizar água, preservar o meio ambiente e você não fez nada por isso. Pense nisso, meu jovem, mesmo que em nenhum entardecer da sua vida você tenha ouvido lamento no coaxar do sapo cururu.

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