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Jornal do Bairro Alto

Qual é a música???

Escrever uma coluna, ainda que mensalmente, às vezes nos faz reincidir em alguns temas. Seja pela falta de memória para registrar tudo o que foi feito, seja porque alguns assuntos gravitam em torno de quem escreve. Sendo assim, me desculpem os leitores se estou sendo repetitivo.

É comum dizer que o brasileiro não tem memória. Não guarda as histórias dos políticos em que ele vota, não cultiva o hábito de manter vivo o passado. Os museus brasileiros só têm grande público quando recebem obras de artistas conhecidos mundialmente. Acervos que contam a história do nosso cotidiano sempre ficam “às moscas”.
Na música não é diferente. Recentemente vi uma reportagem sobre Belchior, um cantor e compositor que era hit nos anos 70. Letrista de alta qualidade, com letras pungentes e afiadas -como na música “Para nossos pais”- inteligente, criador de melodias criativas, caiu no esquecimento. Não se vê ninguém regravando ou reinterpretado suas músicas. E ele é apenas um dos casos. Alguém lembra de Dolores Duran, Irmãs Batista ou Lupicínio Rodrigues ? Não é saudosismo. É valorizar o que há de melhor na MPB. Nos Estados Unidos, por exemplo, é comum novos cantores fazerem versões de clássicos de Billie Holliday ou Frank Sinatra. Por aqui , todo esse tesouro vai aos poucos sendo esquecido, enquanto somos obrigados a ouvir funks cujas letras parecem ter sido feitas por alguém que mal domina a língua brasileira. É o culto pelo raso, pelo imediato, pelo ruim porque é fácil. Tenho meus CDs para ouvir quando quero, mas é triste ouvir rádio atualmente. Se, por um lado você tem que driblar os pastores, de outro, os locutores gritando e apresentando as novidades pop afugentam qualquer cidadão que tenha um mínimo de informação musical. É melhor ouvir as notícias. Música, só em casa ou no Spotify.

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