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Jornal do Bairro Alto

Religião e política

A presença de evangélicos na política atual começou nos anos 70 nos Estados Unidos quando igrejas não tradicionais acharam na televisão um meio de progredir, e na pregação moralista o mote de convencimento que atraiu a direita americana com quem selou uma aliança política, hoje 40% dos congressistas são evangélicos

O Brasil demorou um pouco, mas também chegou lá. 22% da nossa população se declaram evangélica, mas os parlamentares evangélicos que eram 9% em 2000 chegam hoje a 38% dos assentos no Congresso. Muita gente vota neles porque são irmãos de fé uma vez que o discurso moralista não se aplica por aqui, foi substituído pelo curandeirismo.

Quando somos contrários ao uso da religião, qualquer que seja, como ingrediente para a atividade político-partidária, estamos sendo coerentes com a História. Desde Constantino, passando pela Idade Média e até os nossos dias essa parceria inadequada só traz prejuízos à religião e à fé dos seguidores, isto porque a religião obedece a princípios imutáveis e soberanos, enquanto que a política ignora leis, preceitos e juramentos para conquistar riqueza e poder. Quando o indivíduo é somente cristão crê que Deus tudo pode, depois que se rende à política passa a achar que pode tudo, passa a duvidar e a subestimar a própria existência de Deus.
O líder religioso é, antes de tudo, comissionado para falar e agir de acordo com a doutrina que adotou, seu primeiro compromisso é com a fé. O púlpito concentra a liberdade que o autoriza a denunciar os pecados da nação, confrontar os seus responsáveis e exortá-los ao arrependimento e à reconciliação com a verdade. A tribuna política concentra a escravidão à mentira, às vaidades e às paixões humanas, sujeita o homem ao espírito de corporação e o desvia do Espírito de Deus.

A religião não precisa das tribunas parlamentares para promover a justiça e o bem comum. Lá é proibido exercer a denúncia profética, alguém dirá, não é o Estado, laico?Então, há uma só justificativa para conduzir um genuíno cristão ao movediço pantanal da política partidária: a concupiscência da carne. Quem se deixa habitar pelo Espírito jamais é atraído pelas veleidades do mundo. Pela graça, muitas igrejas não estão embarcando nessa roda da fortuna. Permanecer fiel nestes tempos do fim custará muito caro, está escrito.

“Pelo que, tendo este ministério, segundo a misericórdia que nos foi feita, não desfaleceremos; pelo contrário, rejeitamos as coisas que, por vergonhosas, se ocultam, não andando com astúcia, nem adulterando a palavra de Deus; antes, nos recomendamos à consciência de todo homem, na presença de Deus, pela manifestação da verdade”. (1 Coríntios 4.1-2).

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