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Jornal do Bairro Alto

Fome e injustiça

A Escritura faz inúmeras referências a períodos de fome havidos nas regiões habitadas pelos hebreus, Gênesis 12.10 faz a primeira menção.

Na época em que José estava no Egito a escassez de água do Nilo reduziu drasticamente a produção agrícola e toda a região padeceu pela falta de alimentos, Gênesis 47.13-26. Às vezes, situações catastróficas para uns é oportunidade de enriquecimento para outros. Naquela época o sistema de divisão da terra no Egito era feudal, Faraó tinha a propriedade parcial da terra. Ao seguir as recomendações do governador José armazenou toda quantidade de alimento possível e, com a chegada dos sete anos de escassez trocou o estoque por dinheiro, rebanhos, a terra e a liberdade dos antigos proprietários.

O profeta Joel (1.4) relata como uma sistemática praga de gafanhotos consegue dizimar completamente com tudo o que estava plantado. Agentes naturais como a chuva ou a falta dela, o granizo e a ação de outros elementos também contribuíam ocasionalmente para ativar o comando da fome. A sabedoria divina providenciara dois períodos substanciais de chuva, um antes da época de plantio e outro antes da colheita. Fez mais ainda, estabeleceu o primeiro decreto de preservação do solo, a lei que garantia o descanso da terra a cada sete anos, Levítico 5.1-7.

Para o povo judeu essa prescrição é o Shemitá que significa “deixar livre”: “A cada sete anos a terra de Israel terá um Shabat. Neste ano de descanso, não podereis trabalhar a terra”. O Shemitá existe para que o homem demonstre sua confiança em Deus, em vez de depositar sua confiança na terra, e Deus tudo proverá. Deus assegurou ao seu povo que a colheita do sexto ano duraria três anos, que mesmo comendo menos todos ficariam satisfeitos e ainda que se esta prescrição fosse integralmente cumprida nenhum inimigo os conduziria ao exílio.

Levítico 19.9-10 fala como o respigar beneficia os mais necessitados. O livro de Rute (1.22 e 2.2-3) demonstra como alguém usufruiu desse benefício.

No nosso país a terra não descansa porque precisa atender a necessidade de lucrar com as exportações. Quando o solo cansa é entupido com adubos, defensivos químicos e sementes geneticamente modificadas. O desmatamento indiscriminado modificou o clima e, consequentemente, a regularidade das chuvas. O grande latifúndio é impenetrável, a ninguém é permitido respigar. Produzimos 210 milhões de toneladas de grãos, 10 milhões de toneladas de carne bovina e ainda temos 7 milhões de famintos. Algumas coisas estão erradas e uma delas é a desobediência ao Shemitá. Corremos sério risco de exílio.

(Leia a versão completa em www.facebook.com.br/religiaoevida)

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