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Jornal do Bairro Alto

Lembrei-me de Nicodemos

Vi, sem surpresa, alguém que possui títulos e ocupa fugaz posição de realce na sociedade, agir no recinto de uma instituição pública de modo soberbo e exaltado, enquanto um modesto servidor da casa tentava encaminhar satisfatoriamente o pleito daquela pessoa. Lembrei-me de Nicodemos.


O Sinédrio era a mais importante representação política e instância judiciária da Judéia, formado por chefes de sacerdotes, anciãos e escribas, todos extraordinariamente poderosos, eleitos por pureza de origem. Partiu deles a decisão política de prender e matar Jesus de Nazaré (Mateus 26.3-4). Nicodemos, um fariseu, integrava essa nobre casta judaica e todos conhecem parte da sua história contada no Evangelho de João 3.1-5. Certa noite saiu e foi ter com Jesus, a quem chamou de Mestre. O diálogo por eles mantido é uma das mais notáveis demonstrações de simplicidade e respeito mútuo de que se tem notícia. Superou quaisquer barreiras de presunção porventura erguidas pelo homem. Nicodemos não se valeu da posição social e o singelo Mestre não se recusou a esclarecer as suas dúvidas.

A Escritura é rica em referências à arrogância e à humildade. Isaías 14.13-14 revela que a soberba antecede ao surgimento do gênero humano: “Tu dizias no teu coração: eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do Norte; subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo”.

Provérbios 6.16-18 revela que o soberbo está sempre apto para a prática do mal. “Seis coisas o Senhor aborrece, e a sétima a sua alma abomina: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que trama projetos iníquos, pés que se apressam a correr para o mal, testemunha falsa que profere mentiras e o que semeia contendas entre irmãos,”

Adiante, em 26.3 compara-o a um animal.  “O açoite é para o cavalo, o freio para o jumento, e a vara, para as costas dos insensatos”. Em 8.13 oferece o antídoto contra esse mal que leva à prática da injustiça, da opressão e da humilhação.  “O temor do Senhor consiste em aborrecer o mal; a soberba, a arrogância, o mau caminho e a boca perversa, eu os aborreço”.

Em sua epístola, Tiago adverte:  4.16 – “Agora, entretanto, vos jactais das vossas arrogantes pretensões. Toda jactância semelhante a essa é maligna”. Já a humildade é expressiva demonstração de amor, como ensinou o Mestre Jesus ao lavar os pés dos discípulos. Paulo discorreu aos filipenses sobre o alcance da humildade de Cristo: “Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz”, Filipenses 2.5-8. Sabendo disso, seria proveitoso para a humanidade reconhecer que títulos e honrarias são louvações transitórias, que o legado da nova criatura é a humildade e que toda nova criatura já é cidadã da eternidade.

(Leia a versão integral em www.facebook.com/religiaoevida)

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