Importância da Liturgia e o Ano Litúrgico

    Antes de explorarmos o Ano Litúrgico, é fundamental entender a importância da Liturgia. Segundo o Catecismo da Igreja, “pela liturgia, Cristo, nosso Redentor e sumo Sacerdote, continua em sua Igreja, com ela e por ela, a obra de nossa Redenção”. Isso significa que, por meio da Liturgia, Jesus continua a nos salvar, especialmente nas Missas, onde Sua Paixão, Morte, Ressurreição e Ascensão se fazem presentes.

    A Constituição do Vaticano II, Sacrosanctum Concilium, reforça essa ideia ao afirmar que a Liturgia é o exercício da função sacerdotal de Cristo, que usa sinais sensíveis para comunicar a santificação do homem. Portanto, cada celebração litúrgica é ação sagrada.

    Tempos Litúrgicos em Três Ciclos

    O Ano Litúrgico da Igreja, que abrange doze meses, é composto por tempos litúrgicos. Esses tempos celebram os mistérios da vida de Cristo e também os Santos. O Ano Litúrgico é dividido em três ciclos: A, B e C, que se repetem a cada três anos. Cada um desses anos traz uma sequência própria de leituras.

    Por exemplo, em 2025, estávamos no ciclo C, e em 2026 entraremos no ciclo A. A Igreja definiu uma série de leituras bíblicas que se repetem a cada três anos, sempre nos Domingos e nas Solenidades.

    No ciclo A, as leituras são do Evangelho de São Mateus; no B, são do Evangelho de São Marcos; e no C, do Evangelho de São Lucas. O Evangelho de São João é lido em ocasiões especiais, como grandes Festas e Solenidades.

    Entendendo Solenidades, Festas, Memórias e Férias

    Um aspecto central do Ano Litúrgico é o domingo, dia da ressurreição de Jesus, que é considerado fundamental. Um dia litúrgico começa à meia-noite e termina na meia-noite do dia seguinte, exceto nos domingos e Solenidades, que começam na tarde anterior.

    Solenidades

    As Solenidades são as celebrações mais importantes, como a Imaculada Conceição de Nossa Senhora, o Natal, a Festa da Sagrada Família e a Assunção de Nossa Senhora. Há várias outras Solenidades ao longo do ano, e algumas são móveis, o que significa que a data pode variar.

    Festas

    Em seguida, temos as Festas, que incluem a Apresentação do Senhor e a Transfiguração. Nesses dias festivos, rezamos o Glória, mas não o Credo, e apenas duas leituras são apresentadas.

    Memórias

    As Memórias englobam celebrações dedicadas à Virgem Maria e a outros Santos, como os Anjos da Guarda e os fiéis defuntos. Algumas Memórias são obrigatórias, enquanto outras são facultativas. Nesses dias, não se reza o Glória ou o Credo.

    Férias

    As Férias são os dias da semana, de segunda a sábado, com apenas duas leituras e um salmo responsorial. Nesses dias, não se recita o Glória ou o Credo. Um lembrar importante é que já havia missas diárias, conforme testemunhos de Santo Agostinho.

    Quantidade de Celebrações no Calendário Litúrgico

    No total, são 15 Solenidades e 25 Festas litúrgicas com leituras obrigatórias, além de 64 memórias obrigatórias e 96 memórias facultativas. O Calendário ainda conta com 44 leituras relacionadas à Ressurreição e várias para os Santos, Doutores da Igreja e Mártires.

    Essa organização permite que os católicos estudem a Bíblia ao longo do ciclo de três anos, identificando partes essenciais tanto do Antigo quanto do Novo Testamento. Mesmo aqueles que só assistem às Missas aos domingos têm a oportunidade de refletir sobre os textos bíblicos mais importantes.

    O Ano Litúrgico começa com o Advento, que são quatro semanas antes do Natal, e termina com a Solenidade de Cristo Rei, no último domingo de novembro.

    Ciclos Litúrgicos A, B e C

    O Ano Litúrgico é dividido em ciclos que se repetem a cada três anos. Essa estrutura permite uma leitura abrangente da Bíblia. Assim, nas celebrações dominicais, textos que falam sobre o Messias e Sua missão são proclamados.

    Esses ciclos abordam desde o anúncio do Reino de Deus até a Paixão e Ressurreição de Jesus. No final, todos esses eventos convergem para a esperança de Sua volta, celebrada na Solenidade de Cristo Rei.

    Leitura do Evangelho de São Mateus em 2026

    No ano de 2026, usaremos os textos de São Mateus durante as Missas. O Evangelho de Mateus foi escrito em Israel, por volta de 50 d.C., e serviu como modelo para os Evangelhos de Marcos e Lucas. Este evangelho foi traduzido para o grego, uma vez que era a língua falada na época.

    Mateus, que era um publicano, tinha habilidade de escrever e narrar, e seus apóstolos confiaram a ele a tarefa de registrar os ensinamentos de Jesus. Seu objetivo era mostrar aos judeus que Jesus era o Messias prometido, portanto cita frequentemente profecias do Antigo Testamento.

    O Evangelho de Mateus é dividido em seis partes principais:

    1. A Infância de Jesus (Capítulos 1 e 2)
    2. Início da missão de Jesus (Capítulos 3 e 4)
    3. O Sermão da Montanha
    4. Ministério de Jesus na Galileia (Capítulos 8 a 18), incluindo sete Parábolas do Reino de Deus.
    5. Ministério de Jesus na Judeia (Capítulos 19 a 25)
    6. Paixão e Ressurreição de Jesus (Capítulos 26 a 28)

    É o Evangelho mais longo, bem estruturado e detalhado. Portanto, o ciclo A é uma chance valiosa para conhecer e meditar sobre os ensinamentos de Jesus.

    Viver a Liturgia

    Participar ativamente da Liturgia nos ajuda a crescer na fé dentro da comunidade. A prática contínua é um convite para que todos nós vivenciemos e aprofundemos nossa espiritualidade. Assim, ao entender melhor o Ano Litúrgico e suas práticas, somos incentivados a participar das celebrações e a fortalecer nossos laços com a Igreja e com os irmãos em Cristo.

    Dessa forma, a vivência da Liturgia não é apenas um dever; é uma oportunidade de crescimento espiritual e comunitário, ajudando a renovar nossa fé e esperança a cada celebração.

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