O Papel Fundamental do Apego Seguro
A psicóloga Adriana Potexki descreve o “apego seguro” como um “porto seguro” na infância, a pessoa que representa amor e proteção. Essa figura é muito importante, pois estabelece a base para a identidade de um indivíduo. Isso inclui características como habilidades, senso de humor e gostos pessoais.
Às vezes, quando essa pessoa especial não está presente, a necessidade de um apego seguro pode vir de lugares inesperados, como o olhar de um animal de estimação. Isso mostra como todos nós precisamos de uma conexão que nos traga segurança emocional.
As Fases da Identidade e a Crise da Adolescência
O desenvolvimento da identidade acontece em várias etapas, especialmente na infância. Veja como isso se desenrola:
Até os 3 anos: A identidade se forma a partir das palavras dos outros. “Somos o que falam que somos”.
Aos 6 anos: A criança começa a entender o que é um amigo.
Aos 9 anos: Surge a consciência da importância dos grupos sociais.
Aos 10 anos: A criança descobre que pode haver traição entre amigos.
O “Perigo” da Adolescência e a Imaturidade
Durante a adolescência, essa fase crítica traz a vontade de rejeitar as “fundamentos” que a família impôs, enquanto os jovens buscam uma identidade que se distancie das expectativas dos pais. A maturidade vem quando se escolhem conscientemente os valores que desejamos adotar.
Um jovem que se baseia apenas na imitação de grupos ou na influência das redes sociais mostra-se vulnerável. Se ele não se conhece bem, fica “imaturado e frágil”, pois ainda não encontrou quem realmente é.
A Ausência do Apego Seguro e as Consequências
Estudos revelam que muitos adolescentes enfrentam um problema sério relacionado à falta de um apego seguro. Em uma pesquisa realizada com 14.000 adolescentes nos Estados Unidos, 40% não tinham essa conexão emocional. Dentro deste grupo:
25% evitavam falar sobre problemas com os pais porque se sentiam ignorados.
15% nunca contariam seus problemas por medo de serem agredidos ou culpados pelos adultos.
Identidade Ligada ao “Ter” e Relações Abusivas
É comum que a identidade de um jovem se associe ao que ele possui, como marcas, bens e relações. Se alguém se define apenas pelo que tem, essa pessoa se perde quando perde seu bem ou relacionamento. Essa dependência pode resultar na submissão a relacionamentos abusivos.
O medo de perder quem causa essa dependência leva os jovens a permanecer em situações prejudiciais. Eles temem que, sem essa pessoa, deixem de “ser alguém”.
Estratégias Parentais para o Descobrimento do “Quem Sou”
Os pais têm um papel fundamental em auxiliar os filhos a expressarem seus dons e potenciais. Eles não devem projetar seus próprios desejos nos filhos, como obrigar um filho a tocar violino quando ele sonha em ser DJ.
Para ajudar os filhos a construir uma identidade sólida, os pais podem seguir algumas estratégias:
Olhar: É essencial dar atenção genuína aos filhos, ouvindo e observando-os.
Escuta: Ouvir sem julgar é uma habilidade vital. Além disso, envolver os amigos do filho nas interações familiares é uma ótima prática.
Toque e Cheiro: O contato físico, como um abraço sincero ou segurar a mão, acalma o coração da criança e diminui a ansiedade. O cheiro dos pais traz segurança e um real sentido de pertencimento.
Resposta Interior: Ensine os filhos a procurarem dentro de si as respostas sobre o certo e o errado. Isso os ajuda a não depender somente das opiniões dos amigos ou da mídia.
Os filhos podem estar conosco por um tempo limitado, mas são parte de algo muito maior que nós.
Conclusão
O apego seguro é crucial para a formação da identidade e para o bem-estar emocional dos jovens. Quando essa conexão está presente, o adulto tende a se tornar mais equilibrado e seguro. A missão dos pais é criar um ambiente onde as crianças se sintam seguras e amadas. Isso contribui não apenas para a construção de sua identidade, mas também para que elas aprendam a navegar sua própria vida com mais segurança e autonomia.
Compreender a importância do apego seguro e as etapas do desenvolvimento da identidade pode transformar a forma como interagimos com nossos filhos, promovendo um futuro mais saudável e equilibrado.
