A Obesidade e as Soluções com Agonistas do GLP-1

    A luta contra a obesidade ganhou novos contornos na medicina moderna, especialmente com o surgimento dos chamados “medicamentos emagrecedores”, conhecidos como agonistas do receptor de GLP-1. Mas o que realmente sabemos sobre sua eficácia e efeitos?

    A Obesidade como um Desafio Global

    A obesidade é mais do que uma questão estética; é uma condição crônica e complexa que representa um dos maiores desafios de saúde pública no mundo. Esta condição está relacionada a um risco elevado de várias doenças sérias, como diabetes tipo 2, hipertensão, problemas cardíacos e até mesmo certos tipos de câncer.

    No Brasil, a situação é alarmante: a taxa de obesidade entre adultos aumentou de 15,1% em 2010 para impressionantes 29,5% em 2023. As previsões são ainda mais preocupantes, indicando que, até 2049, cerca de 80% dos adultos brasileiros poderão estar acima do peso. Atualmente, mais de 65% da população adulta já enfrenta o problema do excesso de peso, o que enfatiza a necessidade de novas abordagens, além das dietas tradicionais.

    Como Funcionam os Agonistas de GLP-1?

    Esses medicamentos imitam o GLP-1, um hormônio natural que nosso corpo libera após as refeições. Eles atuam em três áreas principais:

    1. No Cérebro: Eles ativam receptores no hipotálamo, aumentando a sensação de saciedade e reduzindo a fome, o que resulta em uma menor ingestão calórica.

    2. No Estômago: Ação que retarda o esvaziamento gástrico, fazendo com que os alimentos permaneçam no estômago por mais tempo e, assim, a pessoa se sente cheia por mais tempo.

    3. No Metabolismo: Estimulam a produção de insulina e inibem o glucagon, ajudando a controlar os níveis de açúcar no sangue.

    Os Principais Medicamentos: Liraglutida, Semaglutida e Tirzepatida

    Três medicamentos se destacam no mercado:

    • Liraglutida (ex: Saxenda, Olire): Aplicada diariamente por injeção subcutânea, gera uma perda média de 10% a 13% do peso corporal em cerca de um ano. Recentemente, a Olire, uma versão nacional, foi lançada, oferecendo um preço mais acessível.

    • Semaglutida (ex: Ozempic, Wegovy): Usada uma vez por semana, mostrou-se mais eficaz que a liraglutida, com perda de peso entre 15% e 20%.

    • Tirzepatida (ex: Mounjaro): Considerada a mais potente, atua em dois tipos de receptores, resultando em perda de peso de 20% a 27%, além de reduzir o risco de diabetes tipo 2 em até 94% para aqueles que são predispostos.

    Efeitos Adversos

    Embora esses medicamentos sejam eficazes, seu uso deve ser feito com cautela e sempre sob orientação médica. Os efeitos colaterais mais comuns são de origem gastrointestinal, acometendo entre 50% a 89% dos pacientes, especialmente nas primeiras semanas.

    • Sintomas Comuns: Náuseas, vômitos, diarreia, constipação e dores abdominais. Normalmente, esses efeitos são leves e tendem a diminuir com a adequação da dose.

    • Riscos Graves: Há casos raros de pancreatite, problemas na vesícula biliar e gastroparesia (paralisia do estômago).

    • Impacto na Saúde Mental: É recomendado um acompanhamento psicológico, pois alguns usuários podem sofrer de ansiedade, depressão ou apresentar pensamentos suicidas.

    • Pré-cuidado Cirúrgico: Pacientes que vão operar precisam suspender o medicamento temporariamente para evitar complicações durante a anestesia.

    Questão do Preço no Brasil

    O custo dos tratamentos continua sendo um grande obstáculo para o acesso desses medicamentos. Em 2026, o Mounjaro foi identificado como o mais caro, seguido pelo Wegovy e Ozempic. A chegada da Olire, uma opção nacional, é um passo positivo, pois traz um preço consideravelmente mais baixo, ampliando o acesso a mais pessoas. No Brasil, a venda desses medicamentos requer uma prescrição médica, com retenção da receita na farmácia.

    Uso Consciente vs. Uso Indiscriminado

    Um ponto importante a ser observado é o risco da banalização do uso desses medicamentos. A utilização das “canetas” como uma solução rápida, sem que haja um diagnóstico sério de obesidade ou problemas de saúde associados, pode ignorar os riscos que este tratamento acarreta. Além disso, interromper o tratamento sem um plano de manutenção pode resultar em um rápido retorno ao peso original, já que a obesidade é uma condição crônica que requer acompanhamento contínuo.

    Conclusão: O Medicamento Não Substitui Hábitos Saudáveis

    Os agonistas do GLP-1 são ferramentas inovadoras e seguras, especialmente quando usados com supervisão profissional. Contudo, para alcançar resultados duradouros, é fundamental adotar uma abordagem multidisciplinar. O remédio pode ser um bom aliado, mas não elimina a importância de hábitos saudáveis, como uma alimentação equilibrada e a prática regular de atividades físicas.

    Imagine tratar a obesidade como tentar apagar um incêndio em um prédio. Os agonistas de GLP-1 funcionam como um eficiente sistema de sprinklers, ajudando a controlar as chamas rapidamente. Porém, se você não corrigir a fiação elétrica (seus hábitos de vida) e não tiver um bombeiro (um médico) supervisionando, ainda correrá alto risco de novos sinistros assim que os sprinklers forem desligados.

    Dessa maneira, essa combinação de tratamento medicamentoso com hábitos saudáveis é essencial para lidar com a obesidade de forma eficaz e segura. É importante lembrar que cada caso é único e deve ser tratado com o devido cuidado e atenção.

    Avatar photo

    Conteúdos e matérias com credibilidade para todos os nossos usuários.