Na hora de trocar de carro, é comum o motorista olhar primeiro para o valor de entrada, as parcelas do financiamento e os itens de conforto. Mas, no caso de veículos mais caros — sejam eles novos, seminovos ou de categorias superiores — a compra costuma trazer um efeito colateral: os custos de manter o automóvel sobem junto, e nem sempre isso fica claro no momento da negociação.

    IPVA, seguro e manutenção estão entre os principais fatores que mudam o orçamento do proprietário. E, em muitos casos, a diferença entre um modelo intermediário e um mais caro não aparece só na vitrine, mas principalmente nas despesas ao longo do ano.

    IPVA: imposto acompanha o valor do carro e varia por estado

    O IPVA é um dos primeiros custos que aumentam quando o motorista opta por um carro mais caro. Isso acontece porque o imposto é calculado a partir do valor venal do veículo, definido anualmente por tabelas de referência, e a alíquota muda conforme o estado. Na prática, um modelo que custa mais tende a pagar mais imposto — mesmo que o motorista rode pouco.

    Além disso, o IPVA é uma despesa previsível e recorrente: chega todos os anos e, em alguns estados, pode ser parcelado, mas não deixa de pesar. Por isso, antes de fechar negócio (ou até na hora de planejar o ano), vale consultar o IPVA 2026 e colocar esse custo na conta junto com seguro e manutenção.

    Outro ponto que costuma ser ignorado é que carros mais caros, em geral, também têm taxas e custos adicionais mais altos em casos de licenciamento e eventuais multas. Alguns valores são fixos, mas outros variam conforme a infração e a documentação do veículo — e isso pode mudar bastante o custo total de manter o carro.

    Seguro: perfil do condutor e risco do modelo podem elevar o preço

    Se o IPVA cresce com o valor do carro, o seguro costuma crescer com uma lógica ainda mais complexa. O preço depende de fatores como idade do motorista, local de residência, uso do veículo, índice de roubos do modelo e custo de reposição de peças.

    Em carros mais caros, a apólice tende a ser maior por motivos simples: o valor de indenização é mais alto e o reparo também. Um para-choque, um farol em LED ou sensores de assistência ao motorista podem custar muito mais do que em veículos populares, elevando o valor do seguro e também da franquia.

    Há casos em que o motorista troca de carro buscando mais conforto e segurança, mas se surpreende com o custo anual do seguro, principalmente em regiões com maior incidência de roubo ou colisões.

    Manutenção: peças, mão de obra e tecnologia influenciam o custo

    A manutenção é o item que mais costuma gerar sustos no orçamento. Isso porque, em carros mais caros, não é apenas o preço da peça que muda: a mão de obra especializada, os equipamentos de diagnóstico e a complexidade do sistema também entram na conta.

    Itens simples, como troca de pastilhas de freio, amortecedores, pneus e bateria, podem custar significativamente mais em veículos maiores, mais potentes ou com rodas maiores. Além disso, carros com mais tecnologia embarcada têm mais sensores e módulos eletrônicos, o que pode elevar o custo em casos de falha ou necessidade de substituição.

    Outro ponto importante é o custo de manutenção preventiva. Em muitos modelos, especialmente os com motor turbo, câmbio automático mais sofisticado ou sistemas híbridos, seguir o cronograma correto de revisões deixa de ser opcional — e pode ser decisivo para evitar problemas mais caros no futuro.

    O que avaliar antes de fechar negócio

    Antes de optar por um carro mais caro, é recomendado que o motorista faça uma simulação realista do custo anual do veículo, incluindo:

    • IPVA estimado e licenciamento
    • seguro completo e valor da franquia
    • revisão preventiva e peças de desgaste
    • preço médio de pneus e freios
    • consumo de combustível (ou energia, no caso de elétricos)

    Também é recomendável pesquisar o valor de peças comuns, a disponibilidade de assistência técnica e o histórico de problemas do modelo. Em carros mais sofisticados, o custo de uma simples reposição pode variar bastante dependendo da marca e da rede de atendimento.

    Comprar um carro mais caro pode ser um passo natural para quem busca conforto, tecnologia e desempenho, mas a decisão costuma ser mais segura quando o motorista olha além do preço da compra. IPVA, seguro e manutenção não aparecem no anúncio, mas determinam o custo real de ter o veículo na garagem. E, para muitos proprietários, a melhor escolha não é o carro mais caro — e sim o que cabe no orçamento também depois da assinatura do contrato.

    Imagem: freepik

    Giselle Wagner é formada em jornalismo pela Universidade Santa Úrsula. Trabalhou como estagiária na rádio Rio de Janeiro. Depois, foi editora chefe do Notícia da Manhã, onde cobria assuntos voltados à política brasileira.