Fé e Conflito: O Cristianismo e o Paganismo
Catarina nasceu em Alexandria, no Egito, em 287 d.C., e morreu em 305 d.C. Embora tenha sido pagã por um curto período, se converteu ao cristianismo durante a adolescência. A tradição conta que, aos dezoito anos, teve uma experiência mística em que encontrou Jesus e a Virgem Maria, levando-a a dedicar-se completamente à fé cristã.
Catarina conseguiu converter a esposa do Imperador Maximiano, que governou de 286 a 305 d.C. Maximiano era um feroz perseguidor dos cristãos. Durante seu governo, muitas pessoas foram perseguidas e mortas por suas crenças. A razão principal para essas perseguições foi o conflito entre o cristianismo e o paganismo da época. Os cristãos se recusavam a adorar os deuses romanos, e os pagãos acreditavam que desastres como pestes e secas eram consequências dessa recusa.
Os cristãos não aceitavam a ideia de que o poder do imperador era divino, então rejeitavam o culto a César. Além disso, se opunham a práticas e instituições que consideravam pagãs. Essa rejeição ao paganismo tornava os cristãos alvos de hostilidade.
Um traço notável das perseguições era a prática secreta do culto cristão. As cerimônias eram fechadas, permitindo apenas a participação de batizados e catequizados. As autoridades romanas viam essas reuniões como ameaças, associando-as a possíveis revoltas.
Os cristãos eram frequentemente alvo de divertimento público. Era comum a tortura e o martírio, onde eram expostos em circos e gladiadores. As execuções eram brutais, com métodos como o uso de chicotes e feras, que tornavam o sofrimento deles em espetáculo para o público.
Lições de Coragem: Catarina e a Censura
As perseguições não ocorreram de maneira contínua. Ao longo de 249 anos, elas foram mais intensas em dez períodos, com ciclos de aproximadamente 30 anos. Catarina desafiou o Imperador Maximiano, criticando sua crueldade e ressaltando a realeza de Jesus. Essa coragem resultou em sua prisão.
O imperador trouxe médicos da província de Alexandria para debater com Catarina, mas, ao invés de vencê-la, os sábios acabaram sendo convencidos pela jovem. Maximiano ficou furioso, mas decidiu tentar novamente. Ordenou que cinquenta oradores fossem convocados para discutir com ela. Prometeu prêmios para os que a convencessem, mas punições severas para os que falhassem.
Catarina, com assistência divina, usou argumentos da filosofia grega para convencer os oradores. O resultado foi que muitos deles se converteram ao cristianismo. Isso deixou o imperador ainda mais irritado. Ele mandou torturar Catarina e executar os sábios, sua esposa e os guardas.
Finalmente, Catarina foi condenada a uma execução brutal. Ela tinha como destino a roda, um método de tortura que causava grande dor. Contudo, antes de sua morte, o arcanjo Miguel apareceu para confortá-la. Em seu último momento, Catarina orou para que, por meio de seu martírio, Deus atendesse as súplicas de todos que lhe pedissem ajuda. Aos dezoito anos, Catarina foi decapitada após sofrer muito.
Três séculos depois, monges encontraram seu corpo e o levaram para o Mosteiro da Transfiguração, que hoje é conhecido como Mosteiro de Santa Catarina. Esse mosteiro foi construído a pedido do Imperador Bizantino Justiniano I entre 527 e 565 d.C. e está localizado no sopé do Monte Sinai, onde suas relíquias permanecem até hoje.
As relíquias de Catarina foram reconhecidas como autênticas, tornando-a uma figura reverenciada. Mais tarde, elas foram transferidas para o Katholikon do Mosteiro, provavelmente entre os séculos VII e IX.
A Fé no Brasil e no Missal: A Relevância Atual de Santa Catarina
Nos séculos seguintes, a veneração a Santa Catarina se espalhou pelo mundo. No início do século IX, foi escrito um cânone musical em sua homenagem. Sua vida foi registrada por São Simeão, o Tradutor, e muitas referências a ela estão presentes em textos antigos.
O Mosteiro do Sinai e Santa Catarina se tornaram conhecidos no Ocidente quando Simeão de Trier organizou a transladação de suas relíquias para Rouen e Treves, antes de 1035. As relíquias foram colocadas em um belo relicário de mármore, esculpido, que ainda pode ser visto no Mosteiro.
Por volta do final do século XVIII, Procópio de Cesareia construiu uma nova caixa de mármore para abrigar as relíquias, que continuam preservadas até hoje.
Os cristãos celebram a festa de Santa Catarina no dia 25 de novembro, uma data que foi reconhecida pelo Papa João XXII no século XIV. O Papa São João Paulo II também restaurou sua memória no Missal Romano como uma celebração facultativa, reafirmando a importância de sua intercessão na Igreja Católica. Atualmente, sua memória continua a ser lembrada no Missal Romano de 2023.
Santa Catarina é padroeira dos filósofos e é invocada por estudantes de todos os níveis, incluindo universitários. Ela também é pedida por aqueles que trabalham com rodas, buscando proteção contra acidentes.
No Brasil, Santa Catarina é a padroeira principal do estado de Santa Catarina e da Ilha de Santa Catarina, parte do município de Florianópolis. Ela também é copadroeira da Catedral Metropolitana de Florianópolis.
Santa Catarina é um exemplo de coragem e fé, que continua a inspirar milhões de pessoas ao redor do mundo. Sua história é um lembrete do impacto que a fé pode ter em tempos de conflito e perseguição.
