A figura mítica da Deusa da Lua, Chang’e, ganha uma releitura contemporânea no espetáculo “Chang’e (嫦娥), a Deusa da Lua”. A obra estreia neste domingo (5) e passa pelos teatros do Sesc Taguatinga, Sesc Gama e Espaço Cultural Renato Russo, com encerramento no dia 3 de maio. A produção foi viabilizada pelo Fundo de Apoio à Cultura (FAC-DF).
A montagem articula dança, música e tecnologia para criar uma experiência sensorial. A proposta parte do encontro entre a mitologia chinesa e a exploração espacial do país, em especial a missão que chegou ao lado oculto da Lua. O espetáculo investiga a ideia de complementaridade entre opostos.
No centro da pesquisa está a inclusão de pessoas com deficiência visual. Para isso, é usado um software desenvolvido pelo diretor musical Eufrasio Prates. O programa captura os movimentos das intérpretes em tempo real e os converte em sons fractais. Essa paisagem sonora dialoga com o timbre do erhu, instrumento chinês executado por Tom Suassuna.
Em cena, as intérpretes Carol Barreiro e Kimberlly Lima desenvolvem uma partitura coreográfica que estabelece um diálogo entre a dança e o Wushu, arte marcial conhecida como Kung Fu. A movimentação combina trechos coreografados e momentos de improvisação.
A concepção do movimento é baseada em reflexões sobre presença e percepção. “Tudo que é visível, tudo que é real, também existe um contraponto do que é invisível e do que é oculto”, afirma Carol Barreiro. Ela relaciona essa ideia à filosofia chinesa.
A presença de uma intérprete com deficiência visual trouxe desafios para a construção da cena, especialmente na orientação espacial e na segurança, já que são usadas armas de treino. “Nosso maior desafio era criar uma composição em dança… em que ela soubesse onde ela está”, relata a artista. Para isso, foi criado um cenário com piso tátil.
A dramaturgia é resultado da remontagem de um trabalho iniciado em 2021. A estrutura segue as fases da Lua, articuladas a sistemas filosóficos chineses. Além das referências filosóficas, o espetâculo dialoga com a tradição literária, incorporando influências de autores como Haroldo de Campos e poetas chineses clássicos.
A base da criação é a figura de Chang’e, uma das principais divindades da mitologia chinesa, associada ao romance e à prosperidade. Segundo a lenda, ao ingerir um elixir da imortalidade destinado ao seu esposo, o arqueiro Yi, ela ascendeu à Lua. A narrativa é celebrada durante o Festival do Meio Outono.
Serviço
A temporada vai de 5 de abril a 3 de maio. Os ingressos são gratuitos.
As apresentações ocorrem no Sesc Teatro Paulo Gracindo, no Gama, no dia 5 de abril (domingo), às 15h e às 19h30.
No dia 30 de abril (quinta-feira), as sessões são no Sesc Teatro Paulo Autran, em Taguatinga, também às 15h e às 19h30.
O espetáculo encerra no Espaço Cultural Renato Russo, na Asa Sul, nos dias 2 e 3 de maio (sábado e domingo), sempre às 19h30.
A classificação indicativa é não recomendada para menores de 10 anos.

