O uso de inteligência artificial está transformando as campanhas eleitorais de 2026, com ferramentas que permitem segmentar mensagens e criar conteúdos em poucas horas, enquanto as equipes lidam com restrições do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Uma das campanhas presidenciais montou uma equipe de 54 pessoas para fazer impulsionamento com nanosegmentação. A tecnologia permite enviar mensagens personalizadas, como para mulheres da zona oeste de São Paulo sem plano de saúde que podem passar a apoiar o candidato.
Softwares monitoram a reação das redes sociais a cada conteúdo, mapeando milhões de perfis para identificar temas que geram mais engajamento. Uma campanha usou IA para avaliar a repercussão do embate entre Romeu Zema e o STF e, em cinco segundos, mapeou detratores, apoiadores e sugeriu respostas.
Pré-candidaturas como as de Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad treinam IAs com discursos e entrevistas. “A IA vai aprendendo o tom do discurso do candidato”, afirma Nara Alves, sócia-diretora da Ela Marketing Político.
Os marqueteiros criticam os deepfakes, proibidos pelo TSE desde 2024. Bruno Bernardes, da agência PLTK, cita o exemplo da eleição argentina de 2023, quando vídeos falsos viralizaram duas semanas antes do segundo turno. O advogado eleitoral Hélio Silveira espera uso massivo de contas falsas para distribuir mensagens com IA.
No vídeo de Ronaldo Caiado, uma bandeira do Brasil feita por IA leva tiros e sangra. O marqueteiro Paulo Vasconcelos diz que, sem IA, a peça levaria quatro dias para ficar pronta; com a tecnologia, levou horas. Locutores e imagens de apoio foram totalmente substituídos por IA.
Algumas campanhas usam “eleitores sintéticos” para substituir pesquisas qualitativas. O serviço, que custa R$ 65 mil por mês, cria perfis baseados em dados reais, como “viúvas do PSDB” ou “esquerdistas frustrados com o PT”. Uma pesquisa qualitativa com mil entrevistados pode sair por R$ 150 mil.
A customização de mensagens com adaptação de vídeo ou áudio para chamar eleitores pelo nome ainda gera dúvidas jurídicas. Alguns advogados consideram deepfake. O marqueteiro Felipe Pimentel diz que é arriscado: “qualquer estranhamento pode acabar gerando rejeição no eleitor”.
