As negociações entre Irã e Omã para definir um protocolo de navegação no Estreito de Ormuz estão na fase final, de acordo com autoridades iranianas citadas pela agência estatal IRNA. O acordo busca criar mecanismos para supervisionar e coordenar o tráfego marítimo, além de garantir a passagem segura de navios pelo estreito.
O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, disse que Teerã trabalha com Omã, que também é um país costeiro do Estreito de Ormuz, para definir regras que permitam a passagem segura de embarcações mesmo em períodos de paz. Segundo ele, o protocolo não pretende impor restrições, mas sim facilitar o trânsito e oferecer melhores serviços aos navios.
A notícia ganha destaque depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que cancelou ataques planejados contra o Irã para dar mais tempo à diplomacia. De acordo com o jornal Financial Times, um possível acordo em discussão incluiria a reabertura do Estreito de Ormuz, que é uma das principais rotas para o transporte mundial de petróleo.
O Estreito de Ormuz é uma passagem estreita entre o Golfo de Omã e o Golfo Pérsico, por onde passa grande parte do petróleo exportado pela região. A movimentação de navios militares e comerciais na área costuma ser acompanhada de perto por países produtores e consumidores de energia, já que qualquer interrupção no tráfego pode afetar os preços internacionais do barril.
Nos últimos anos, a região registrou episódios de tensão envolvendo petroleiros e embarcações de guerra. Em 2019, ataques a navios perto do estreito foram atribuídos ao Irã, que negou envolvimento. Mais recentemente, o governo iraniano intensificou a retórica contra sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos, que afetam diretamente a exportação de petróleo do país.
Omã, por sua vez, mantém uma posição de neutralidade e já atuou como intermediário em conversas entre potências ocidentais e o Irã. A proximidade geográfica e as relações diplomáticas estáveis entre os dois países são vistas como fatores que podem facilitar a implementação do novo protocolo de navegação.
