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Produtora de filme sobre Bolsonaro buscou Lei Rouanet para projetos de R$ 8,6 mi

Produtora de filme sobre Bolsonaro buscou Lei Rouanet para projetos de R$ 8,6 mi
Cartaz do filme Dark Horse | Reprodução (Instagram)

A sócia-administradora da Go Up Entertainment, produtora do filme “Dark Horse” sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, Karina Ferreira da Gama, buscou a Lei Rouanet para captar R$ 8,59 milhões para quatro eventos. Entre eles, um festival da Marcha para Jesus. Os pedidos foram feitos pelo Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina.

Ela conseguiu recursos para apenas uma atração, “Rute – o Ballet”, que levantou R$ 107 mil. A Lei Rouanet permite incentivo privado a iniciativas culturais com isenção de parte do Imposto de Renda. A lei é alvo de críticas de bolsonaristas e foi citada nas respostas de Flávio Bolsonaro após a revelação de um áudio pelo site The Intercept Brasil.

No áudio, o senador e pré-candidato à Presidência pediu ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para bancar o filme. “O que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet”, disse Flávio em nota no dia 13. Na quinta-feira (21), o presidente Lula defendeu a Rouanet e criticou as conversas entre Vorcaro e Flávio.

Procurada, Karina Gama não respondeu. O Instituto Conhecer Brasil também não retornou. O instituto tentou captar verbas pela Rouanet entre 2015 e 2019. O governo Bolsonaro aprovou o maior pedido, de R$ 5,9 milhões para shows da Marcha para Jesus em 15 estados. O plano era atrair 3 milhões de pessoas. Com a pandemia, o prazo foi ampliado até 2022, mas a verba não foi levantada.

Karina seria coordenadora-geral do festival. Ela afirmou no projeto que atuava havia 20 anos em planos estratégicos para empresas e governos. O instituto só levantou recursos para “Rute – o Ballet”, com R$ 107 mil obtidos de R$ 157 mil autorizados. Também recebeu aval para captar R$ 1,2 milhão para o teatro “Turma do Smilinguido” e para a turnê de Hadassah Perez, sem sucesso.

Além da Go Up, Karina tem outras empresas beneficiadas por verbas públicas. O Conhecer Brasil firmou contrato com a Prefeitura de São Paulo, na gestão Ricardo Nunes, para receber R$ 108 milhões para internet wi-fi em comunidades de baixa renda. O instituto também recebeu R$ 2 milhões em emendas do deputado federal Mario Frias, produtor e roteirista do filme.

Karina disse que a contratação pela prefeitura foi regular, sem ligação com o filme. Frias justificou os repasses mencionando a Lei Rouanet. Deputados estaduais direcionaram R$ 700 mil a empresas ligadas à produtora. Vorcaro pagou R$ 61 milhões para a produção de “Dark Horse”. O valor total negociado era de R$ 134 milhões, segundo o Intercept Brasil, sem evidências de repasse integral.

A Polícia Federal suspeita que o valor possa ter financiado despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde vive desde fevereiro de 2025. Flávio e Eduardo negaram. “Tem como comprovar. O que eu pedi hoje foi para o fundo privado disponibilizar o contrato ou que houvesse a prestação de contas pela produtora no Brasil”, disse o senador na semana passada.