Uma pastora brasileira chamou Nossa Senhora Aparecida de demônio durante uma participação em podcast. A declaração foi feita por Thalita Lemos, que se define como “demonologista” e tem um ministério online com cerca de 70 mil seguidores.

    Ela fez a afirmação de forma direta, em um programa que aborda temas sobrenaturais. Não se tratou de uma discussão teológica, mas de uma declaração gravada, com uso de microfone e câmera.

    Nossa Senhora Aparecida é a padroeira do Brasil. A basílica dedicada a ela, localizada em Aparecida do Norte, é considerada a segunda maior do mundo em capacidade. O país tem aproximadamente 120 milhões de católicos.

    Após a divulgação do vídeo, houve uma grande reação nas redes sociais. Diversas pessoas começaram a organizar denúncias em massa contra o perfil de Thalita Lemos. Especialistas em direito apontam que o caso pode se enquadrar no crime de intolerância religiosa.

    No Brasil, a prática de discriminação por credo, prevista em lei, pode resultar em pena de um a três anos de reclusão. Até o momento, a pastora não se manifestou publicamente sobre a polêmica, e seu perfil nas plataformas digitais permanece ativo.

    O caso reacendeu o debate sobre os limites da liberdade de expressão e o discurso de ódio. A legislação brasileira protege o exercício dos cultos religiosos e prevê punição para atos de intolerância. Autoridades podem ser acionadas para analisar a conduta.

    Imagens e gravações de declarações consideradas ofensivas costumam ser usadas como prova em processos desse tipo. A velocidade de propagação do conteúdo na internet também tem sido um fator considerado em ações judiciais recentes.

    A história da devoção a Nossa Senhora Aparecida remonta ao século XVIII, com a tradição do encontro da imagem no rio Paraíba do Sul. A santa foi proclamada padroeira do Brasil em 1930 por decreto do papa Pio XI. A data de sua festa, 12 de outubro, é feriado nacional.

    O Ministério Público e a Polícia Federal são alguns dos órgãos que podem receber representações para investigar crimes de intolerância religiosa. A punição serve tanto como penalidade quanto como forma de inibir comportamentos semelhantes no futuro.

    Giselle Wagner é formada em jornalismo pela Universidade Santa Úrsula. Trabalhou como estagiária na rádio Rio de Janeiro. Depois, foi editora chefe do Notícia da Manhã, onde cobria assuntos voltados à política brasileira.