O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao Governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), afirmou nesta quinta-feira (18) que a lei deve ser aplicada sem levar em conta a proximidade política. A declaração foi dada ao comentar a operação da Polícia Federal que teve como alvo o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado.
“Eu torço para que a Justiça seja feita”, disse Haddad em entrevista ao Kritike Podcast. “Eu vou lamentar se uma pessoa próxima a mim errou, porque é uma pessoa que eu conhecia e tudo mais, mas eu não posso desejar, até para o bem da sociedade, que a lei não seja aplicada.”
A declaração ocorreu no mesmo dia em que a PF cumpriu mandados de busca e apreensão em nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas relacionadas ao Banco Master. A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF.
Agentes encontraram US$ 55 mil e 33 mil euros (cerca de R$ 471 mil) em endereços ligados a Wagner. A assessoria do senador informou que o valor é resultado de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais.
Em nota, Wagner afirmou que não é réu e não foi denunciado nem acusado nos fatos investigados. O senador disse que está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
Haddad disse que a proximidade política ou pessoal não deve impedir a apuração de suspeitas nem a aplicação da lei. “Se um adversário meu não errou, ele tem que ter os seus direitos garantidos de defesa. E, se um aliado meu errou e está comprovado, paciência. O país tem que funcionar assim”, afirmou.
O pré-candidato ao governo paulista também afirmou que Wagner já prestou esclarecimentos e que caberá às autoridades avaliar as explicações. Na entrevista, Haddad elogiou o presidente Lula (PT) e disse que, em seu governo, “as instituições funcionam”.
Ele comparou a postura de Lula à do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a quem acusou de interferir na Polícia Federal para proteger os filhos. “O que o Lula falou? Se meu filho tiver explicações a dar, ele vai dar. Eu não vou mudar o delegado, eu não vou mudar o superintendente”, disse Haddad.
A investigação apura suspeitas de que Wagner recebeu pagamentos ligados ao Banco Master, de Daniel Vorcaro, por meio da empresa da esposa de seu enteado. A PF também investiga um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões.
Os investigadores identificaram um pagamento de R$ 3,5 milhões de uma empresa ligada ao empresário Augusto Lima ao “núcleo familiar” de Wagner. A defesa de Lima afirmou que os fatos serão esclarecidos e que ele sempre agiu dentro da lei.
Wagner, 75, é ex-governador da Bahia e foi ministro nos governos Lula e Dilma Rousseff. Em 2018, ele já havia sido alvo da Operação Cartão Vermelho, que investigou repasses de empreiteiras na construção e gestão da Arena Fonte Nova, em Salvador. Haddad citou o episódio e disse que Wagner afirmou à época que “não fez nada errado”. A operação foi anulada em 2019 pelo TRF-1, que entendeu que a investigação não era de competência da Justiça Federal.
