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Lula defende Marcola: ‘Quem nunca pediu empréstimo a um amigo?

Lula defende Marcola: ‘Quem nunca pediu empréstimo a um amigo?
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu seu ex-chefe de gabinete, Marco Aurélio Ribeiro Santana, o Marcola, durante reunião com dirigentes do PSOL e da Rede, nesta quarta-feira, 5, no Palácio da Alvorada. Lula afirmou que a Polícia Federal tem autonomia para investigar qualquer pessoa em seu governo, mas questionou: “Quem aqui nunca pediu empréstimo para um amigo?”, segundo relato de três participantes do encontro.

Marcola deixou a coordenação da campanha de Lula depois que a Polícia Federal descobriu repasses feitos a ele pela empresária Roberta Luchsinger, apontada como lobista em negócios de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”. Em nota, o ex-assessor disse que quitou R$ 249 mil de um “empréstimo” contraído com a empresária, mas não explicou quando fez o pagamento nem para que pediu o dinheiro.

Diante dos aliados, o presidente afirmou que a direita, ao longo da história, fez uso político de denúncias de corrupção não comprovadas para tentar derrubar governos, citando as gestões de Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek. Foi nesse contexto que mencionou a explicação dada por Marcola para os pagamentos recebidos.

Lula também assegurou que não há privilégio para ninguém no governo, nem mesmo para seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Amigo de Roberta Luchsinger, Lulinha responde a três inquéritos da Polícia Federal, acusado de tráfico de influência. Roberta foi alvo de mandado de busca e apreensão no fim de 2025, nas investigações sobre desvios de aposentadorias do INSS. Ela também é suspeita de atuar no Ministério da Saúde, junto com Lulinha, para obter autorização para uma empresa ligada ao “Careca do INSS” comercializar produtos à base de cannabis medicinal.

Durante a reunião, que durou uma hora e tratou de assuntos de campanha, projetos no Senado, como o fim da escala 6×1, e as brigas com os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei, Lula reiterou que quem é alvo de denúncias precisa se explicar. “Quem errou, que pague”, disse. Ainda assim, afirmou ter ficado “triste” com a saída de Marcola, que o acompanhava há cerca de 11 anos, e disse que ele terá tempo para se defender.

O encontro contou com a participação do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, do PSOL, e do presidente do PT, Edinho Silva, coordenador da campanha de Lula. Os dirigentes da federação PSOL-Rede entregaram a Lula um documento com propostas para o programa de governo de um eventual quarto mandato. O texto, intitulado “Carta ao Lula”, defende que a ação da Polícia Federal contra a “gangsterização da política”, sem proteger nem perseguir ninguém, continue “doa a quem doer”.

Marcola trabalhava no terceiro andar do Palácio do Planalto, ao lado de Lula, e deixou a chefia de gabinete no dia 21 para integrar a coordenação da campanha. Interlocutores de Lula afirmaram que Marcola faria a “ponte” da campanha com o Planalto. O presidente, porém, já havia sido informado da relação de Marcola com Roberta, pois o sigilo do celular da lobista foi quebrado e o aparelho continha troca de mensagens entre os dois sobre pagamentos. Ao ser confrontado por integrantes da coordenação da campanha, o ex-chefe de gabinete admitiu ter aceito que a empresária pagasse suas contas, mas alegou que o valor era um “empréstimo”.