O comando da greve dos servidores da USP indica que a categoria aceite as propostas da reitoria para encerrar o movimento. A gestão de Aluisio Segurado oferece uma gratificação de até R$ 1.600 mensais a todos os funcionários, além de estudar um novo sistema de mobilidade interna para os trabalhadores, que não têm gratuidade nos ônibus circulares da Cidade Universitária.
O fim da paralisação estaria condicionado a um acordo documentado, com os termos por escrito, compromisso de não punição e regularização da frequência nos dias de greve. Também exige o agendamento de uma reunião para ouvir as demandas dos estudantes, que também boicotam aulas. Uma assembleia foi convocada pelo Sintusp para as 12h30 desta quinta-feira (23) para deliberar sobre o tema.
O comando da greve se reuniu na noite de quarta-feira (22) após uma longa mesa de negociação com a reitoria. O encontro ocorreu depois de uma breve assembleia que votou pela continuidade da paralisação para conquistar novos compromissos. A reunião terminou sem acordo, mas os trabalhadores dizem ter recebido um ultimato: dar uma resposta até esta quinta ou as propostas seriam retiradas. A USP nega o ultimato.
“Houve uma avaliação majoritária de que as propostas representam conquistas importantes, fruto direto da força da nossa greve, e que as garantias reais se darão por meio de nossa mobilização constante”, diz o Sintusp em boletim.
A paralisação começou após a criação do Gace (Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas), um bônus de R$ 4.500 para professores que assumirem projetos estratégicos. O valor total reservado para os servidores seria igual ao dos professores, R$ 238,44 milhões por ano, o que daria cerca de R$ 1.600 mensais para cada um dos 12 mil funcionários.
O movimento estudantil já chegou a 105 cursos, na capital e no interior. As pautas unificadas incluem melhores condições de permanência, aumento no valor das bolsas e investimento nos restaurantes universitários. Houve denúncias de refeições estragadas e com larvas, especialmente na Faculdade de Direito. As unidades são terceirizadas.
Outro tema é a minuta que regulamenta espaços de centros acadêmicos, que pode acabar com o comércio realizado pelas entidades. Na EACH (USP Leste), os alunos pedem a criação de uma moradia estudantil própria devido à distância do campus.
A reitoria afirma que atua na valorização dos servidores e na melhoria das condições de trabalho. Sobre os restaurantes, a Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento informa que equipes técnicas visitam as unidades para apurar as ocorrências. Quanto à minuta, a instituição diz que não pretende cercear a liberdade das entidades, mas garantir segurança jurídica.

