A história da cerveja está ligada à história do trabalho. Antes de ser símbolo de descanso, a bebida foi usada como salário, nutrição e ferramenta de mobilização social. A reportagem do Guia da Cerveja separou cinco fatos históricos para celebrar o 1º de maio.

    Salário em estado líquido

    Civilizações antigas usavam cerveja como pagamento de mão de obra. Uma tabuleta de argila de 3 mil a.C., do Museu Britânico, registra as rações de cerveja distribuídas a operários em Uruk, na Mesopotâmia. No Egito Antigo, a prática também era comum e, dizem, as pirâmides foram construídas com apoio da bebida.

    Saison: o combustível das fazendas

    Na Bélgica, fazendeiros produziam a Saison durante o outono e inverno para vender aos saisonniers — trabalhadores temporários da colheita. Segundo o mestre cervejeiro Phil Markowski, a produção atendia a três objetivos: refrescar os trabalhadores no verão, ocupar a mão de obra fixa no inverno e gerar bagaço para o gado.

    Grisette: a aliada dos mineiros

    A Grisette surgiu no sul da Bélgica industrializada, entre os séculos 18 e 19. Era uma cerveja leve, feita para mineradores se recuperarem após o trabalho nas minas de carvão. O nome, que significa “a pequena cinzenta”, pode fazer referência à aparência turva da bebida ou aos trabalhadores cobertos de cinzas.

    Porter: a “rockstar” da Revolução Industrial

    A Porter recebeu o nome dos estivadores do porto de Londres no século 18. Desenvolveu-se como símbolo da Revolução Industrial, servindo de sustento aos operários. O jornalista Martin Cornell a considerava a primeira cerveja rockstar do mundo. Inicialmente, era uma mistura de cervejas nos pubs, depois passou a ser produzida pronta pelas cervejarias.

    Bitters, German Lagers e o movimento trabalhista

    No século 19, reuniões de trabalhadores eram ilegais na Inglaterra até 1824. Muitos encontros ocorriam em pubs, com Bitters e Stouts. Nos Estados Unidos, em 1º de maio de 1886, em Chicago, mais de 300 mil trabalhadores fizeram greve por jornada de 8 horas. O movimento culminou no massacre de Haymarket. A cerveja da época era a German Pils, trazida por imigrantes alemães.

    O Brasil e o Dia do Trabalho

    No Brasil, a data começou a ser celebrada no início do século 20. Tornou-se feriado por decreto do presidente Artur Bernardes em 1924. Em 1º de maio de 1943, Getúlio Vargas assinou a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), instituindo salário mínimo e férias.

    Giselle Wagner

    Giselle Wagner é formada em jornalismo pela Universidade Santa Úrsula. Trabalhou como estagiária na rádio Rio de Janeiro. Depois, foi editora chefe do Notícia da Manhã, onde cobria assuntos voltados à política brasileira.