A Petrobras anunciou na noite desta quinta-feira (23) que não vai exercer direitos de preferência e de venda conjunta (tag along) depois da venda da participação da Novonor na Braskem ao fundo de investimento Shine (Shine I FIP).

    Em fato relevante, a estatal também anunciou a assinatura de um novo acordo de acionistas com o fundo. O acordo prevê controle compartilhado da petroquímica e mudanças na governança.

    Pelo novo arranjo, Petrobras e Shine vão ter direito de indicar o mesmo número de membros para o conselho de administração e para a diretoria executiva da Braskem. O acordo também estabelece a obrigatoriedade de consenso entre as partes nas deliberações do conselho e da assembleia geral.

    Na prática, ao abrir mão desses direitos, a Petrobras permite que a Novonor venda sua fatia diretamente ao novo investidor. A estatal não é obrigada a comprar as ações nas mesmas condições (direito de preferência) nem pode vender sua própria participação junto com a controladora (tag along). A decisão evita interferência no negócio e destrava a transferência de controle, anunciada no início da semana.

    Segundo a estatal, o documento será encaminhado à Braskem e passará a valer depois da conclusão da transferência das ações ao fundo.

    Com a operação, a Petrobras mantém sua participação de 36,1% no capital total da Braskem, sendo 47% do capital votante. O Shine vai assumir 50,1% do capital votante e 34,3% do capital social total. A Novonor terá sua participação reduzida a uma fatia residual, permanecendo com 4% do capital social total.

    A Novonor assinou na segunda-feira (20) a transferência de sua fatia na petroquímica ao fundo Shine, que é assessorado pela gestora IG4 Capital. Uma das exigências para a conclusão da venda era que a Petrobras não exercesse seus direitos de preferência e de tag along. Essa decisão já havia sido aprovada pela estatal em fevereiro.

    O contrato da venda da participação da Novonor deriva do acordo anunciado em dezembro do ano passado. Esse acordo envolveu a compra pela IG4 de cerca de R$ 20 bilhões em dívidas da Novonor detidas pelos maiores bancos do Brasil e garantidas por ações da Braskem.

    A IG4 é uma gestora brasileira de investimentos especializada em companhias endividadas, em reestruturação financeira ou com problemas de governança. Em 2017, por exemplo, a empresa adquiriu o controle da CAB Ambiental, do grupo Galvão, e relançou a companhia como Iguá Saneamento. A Iguá é uma das quatro companhias que dominam 84% dos serviços privados de água e esgoto. Em 2024, a IG4 deixou o controle da empresa.

    A entrada de um novo acionista controlador pode ajudar a melhorar as perspectivas da Braskem. A empresa enfrenta margens apertadas no setor petroquímico e dívidas relacionadas aos danos causados pelas operações de mineração de sal em Maceió (AL). Segundo o balanço de 2025, a dívida líquida da companhia superava os R$ 11 bilhões.

    Giselle Wagner

    Giselle Wagner é formada em jornalismo pela Universidade Santa Úrsula. Trabalhou como estagiária na rádio Rio de Janeiro. Depois, foi editora chefe do Notícia da Manhã, onde cobria assuntos voltados à política brasileira.