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Jornal do Bairro Alto

Depois dos reclames

Desde os tempos da bidu-cola, no Brasil o ano só começa pra valer depois do carnaval e das desgraceiras no Rio de Janeiro (castigo de Deus por causa da libertinagem, diziam os carolas). Entra ano, sai ano, todo ano é a mesma coisa. Nos jornais as novidades são as velhas notícias: a volta às aulas; onde comprar material escolar mais barato; a falta
de vagas nas creches; aumento da mensalidade escolar; IPTU, à vista ou a prazo? ; a eleição do Rei Momo; uma epidemia qualquer causada por qualquer mosquito. Na famosa crônica esportiva os chavões da era Juquinha & Gauchinho, Pedrinho & Renatinho ainda são usados por alguns como se fossem o suprassumo da criatividade fez o dever de casa; venceu, mas não convenceu; treino desintoxicante; coletivo apronto; tapete verde; placar elástico; sonora
goleada. Esqueceram do “esporte bretão”, “esporte rei”, e as regras, só elas, esterraram o “bola prensada é da defesa”, “três escanteios é pênalti”, isso é lenda, além de desvio gramatical. É assim mesmo que caminha a humanidade. Ainda existe flor que se cheire. Tem coisa que não é a mesma coisa, ou é, mas não é bem assim: o litro vem em caixa, falta casco escuro para cerveja, o dolé virou sorvete de pauzinho, sumiram com as latas de azeite, falta-me um pé-de-cabra, guardaram as setras, abriram os viveiros e soltaram os canários; pararam de tocar “churrasquinho de mãe” do Teixeirinha e um dia vão parar também com o “Ai se eu te pego”. E continuamos com as mesmas notícias de sempre: em Brasília, 19 horas; Ministro nega acusações de corrupção; estrada das praias tem horário especial para descer e para subir; Mocidade Azul é campeã do carnaval - Não Agite em segundo; aumento do salário mínimo não agrada trabalhadores. Intervalo e voltaremos depois dos reclames.

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