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Jornal do Bairro Alto

Por uma tecnologia humanizada

A indagação recorrente é o tipo de ser humano e de valores que estão se formando. Uma das vozes mais ouvidas é a da psicóloga norte-americana Sherry Turkle. Há trinta anos ela estuda a relação das pessoas com a tecnologia e tem feito alguns alertas. Sem querer voltar à comunicação por tambores, a pesquisadora afirma que atualmente esperamos mais da tecnologia e menos uns dos outros. Sherry critica a overdose de tecnologia que a sociedade nos impõe. Para ela, é necessário haver tempo para a conversa, olhando nos olhos, sem a intermediação de uma máquina. É preciso criar espaços livres da tecnologia para dar espaço ao desenvolvimento das relações humanas.

Há entusiastas que acham que a tecnologia, exclusivamente, salvará o mundo. Mas sem humanismo não temos futuro. A ciência não é boa nem ruim, depende apenas de quem está por trás dela. É por isso que computadores mais potentes não conseguem produzir textos melhores, se o cérebro por trás das máquinas for do tamanho de uma ervilha. Proust levou anos para escrever um romance que mudou a literatura ocidental. A demora não foi pela falta de tecnologia, mas porque a obra foi o resultado da percepção de uma vida inteira de experiências.

O ideal é que usemos a tecnologia a nossa disposição, mas não devemos fazer dela a coisa mais importante da vida. O Facebook é ótimo, mas pode se tornar um esgoto. Depende do usuário. Tecnologia tem que ser dosada para não nos tornarmos robôs desumanizados. Sugiro que a indagação de Sherry Turkle, lá do primeiro parágrafo, seja posta em prática todo dia. Assim, pais e filhos possam jogar futebol, tomar banho de mangueira, empinar pipa. Amigos possam passar horas num bar, substituindo os likes ou mensagens do Whattsapp.

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